Páginas

sábado, abril 06, 2013

É de copa e de coca, que cola a política.





A Coca-Cola agradece,
O torcedor se envaidece,
O ensino não enobrece,
A saúde se desmerece,
A torcida se esquece,
A empresa empurra e cola,
E o simples brasileiro, cego, segue de coca,
Feito vida de aluno e professor, de esmola em esmola.

O gol pode ser de placa,
E o show pode ser de ouro, ou mesmo de prata,
Mas, a bola e a rede nunca serão de lata.
A fome e a sede, atributos da miséria,
Na vida do labutador,
De sol-a-sol, é a que mais emplaca.

O homem simples chora,
A sempre vida que implora,
Um lampejo de igualdade,
Como o da bola que deita e rola,
Hora par, hora impar,
Objetivar o seu anseio,
De fato, verdade ou devaneio,
Viver pelo menos mais trinta.

Não gostaria de ser sonhador,
A trocar os meus bois a um trator,
Pois, de seca em seca, nem mesmo o doutor,
Consegue livrar da morte súbita,
Meu bode, minhas cabras ou minha vaca única.

E aqui, jaz se foi minha ultima lágrima.
A pública me serpenteia, cobrando, e nunca esquecendo de nada,
Em espiral, sigo com os demais no turbilhão desta privada,
Perfazendo essa dívida que roda e rola em disparada.
E é assim que vivencio o desencanto
Da morbidade que vejo em todo canto,
No trabalhador, que vive pensando em viver mais nada.

Não sei se é o fim do mundo,
Ou é o mal que aqui já está feito,
Lugar onde, só o rico, deita e rola,
Da lama feita das lagrimas do trabalhador,
Que vê o mundo seguindo do mesmo jeito.






Findo-Me